Feminista, republicana e livre-pensadora


Maria Veleda, pedagoga e escritora, foi outra das personalidades que participou no jantar que o ICIA organizou em 27 de maio para homenagear Manuel Teixeira Gomes. Publicamos aqui a breve alocução ficcionada por Margarida Tengarrinha e registada pelo jornalista Julião Quintinha, para que conste nos anais da história, confundindo os historiadores da "petite histoire". Ainda que, afinal, o que se passou neste jantar tenha sido uma efabulação, não se poderá contestar a verosimilhança dos factos, a não ser que as 44 testemunhas tenham um lapso de memória que omita da sua biografia a participação real no público ato.

«Sinto-me muito honrada por participar neste jantar em sua homenagem, o senhor que é uma das grandes figuras da República, e que sempre e com muita coerência apoiou a "Liga Republicana das Mulheres Portuguesas", criada em 1909 pela médica Adelaide Cabete e pela escritora Ana de Castro Osório, à qual eu pertenci também e de que, mais tarde, fui dirigente.

Contrariamente aos valores conservadores dominantes na Europa de então, ambos estivemos com a República na defesa da causa do divórcio e da separação da Igreja do Estado; ambos defendemos também com vigor questões do Ensino como a escolaridade obrigatória, a liquidação do analfabetismo e uma Cultura extensiva à população, princípios republicanos importantes para mim, como professora e para si, como homem da cultura.

Queria deixar claro para si e para os comensais neste jantar, que eu não fui só "sufragista", mas sobretudo "feminista", pois, para além do direito de voto exigi a dignificação da Mulher, libertar a mulher portuguesa dos preconceitos que a limitam e conquistar para a mulher um regime libertador - a emancipação feminina. E também a defesa dos direitos da criança, daí a minha participação activa na "Obra Maternal" e na "Tutoria da Infância" onde trabalhei desde 1912 e que mais tarde o senhor também apoiou. E ainda (aqui para nós), muito me agradou que, ultrapassando preconceitos como sempre o fez, o senhor tenha sido foi um dos raros ficcionistas portugueses que falou do prazer da mulher do ponto de vista dela e não do homem.

Sei que daqui a uns anos, em 1924 e já como Presidente da República que virá a ser, apoiará e estará presente no "1º Congresso Feminista e de Educação" realizado pelo Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas e que ali dirá "concordar com as reivindicações justas das congressistas", considerando inclusivamente "como modesto o programa das feministas portuguesas". Mais uma vez estaremos completamente de acordo».

Ler a reportagem do jantar literário no jornal Almalgarvia.

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