Lançada ao mar, desde o seu cais de partida, em Portimão, uma terra entre dois mares, a Atlântica navegou entre o lado de cá e o lado de lá do oceano, correspondendo ao "aceno que leva para longe o nómada das águas", como escreveu Lídia Jorge no primeiro número da revista. Disponibilizamos abaixo para leitura integral ou download a versão digital dos seis números editados.

Atlântica

 

 

"Vaga gente sem geografia cumprindo em sua carne, obscuramente, seus hábitos", como conta Borges a Pessoa. Travessias de ida e volta entre a saudade e a esperança de corações emigrantes navegando num mar onde se espelha a nossa essência comum.

Ver toda a América desde Machu Picchu. Das águas verde-limão das Caraíbas às «altas solidões» dos Andes. Da verde Amazónia aos glaciares azuis do sul da Patagónia. Das paisagens lunares do deserto de Atacama aos inumeráveias fiordes do arquipélago de Chiloé. Viagem através dos seus «rios profundos».

Resgatar da "memória do fogo" os mitos fundadores, as primeiras vozes, os lugares da criação.

As cidades da ausência, Cuzco inca e Tenochititlán asteca, em cujos labirintos imaginários nos perdemos. México D.F., "cidade do sol parado, cidade de calcinações longas, cidade a fogo lento". Santiago "das mulheres formosas com olhares de uva" ...